3. O que é lixo?

Muito além de jogar na lixeira

Praticamente todo mundo sabe que o lixo é um problema. Porém, nem todos sabem diferenciar cada tipo de lixo, sua origem, e, principalmente, qual a destinação ideal para cada resíduo.

Isso porque, o que muita gente ainda não percebe, o problema do lixo não acaba quando ele é jogado fora, ou seja, quando nos “livramos dele”. As verdadeiras origens da questão estão na crescente produção de lixo, e na destinação totalmente inadequada de grande parte desses resíduos.

Tipos de lixo

De acordo com classificação do Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo (IB/USP), o lixo pode ser dividido nos seguintes tipos:

  • Lixo doméstico:​ também chamado de lixo domiciliar ou residencial, é produzido pelas pessoas em suas residências, constituído principalmente de restos de alimentos, embalagens plásticas, papéis em geral, entre outros.
  • Lixo comercial: ​gerado pelo comércio em geral, é composto especialmente por papéis, papelões e plásticos.
  • Lixo industrial: ​originário das atividades das indústrias, pode conter restos de alimentos, madeiras, tecidos, couros, metais, produtos químicos e outros.
  • Limpeza pública:​ composto por folhas em geral, galhos de árvores, papéis, plásticos, entulhos de construção, terra, animais mortos, madeiras e móveis danificados.
  • Lixo hospitalar: ​proveniente de hospitais, farmácias, postos de saúde e casas veterinárias, é composto por seringas, vidros de remédios, algodão, gaze, órgãos humanos, etc. Esse tipo de lixo é muito perigoso e deve ter um tratamento diferenciado, desde a coleta até a sua deposição final.
  • Lixo eletrônico:​ nome dado aos resíduos resultantes da rápida obsolescência de equipamentos eletrônicos, o que inclui televisores, celulares, computadores, geladeiras, pilhas, baterias e outros dispositivos. Também requer um cuidado maior com a coleta, não podendo ser descartado juntamente com outros tipos de lixo.
  • Lixo nuclear:​decorrente de atividades que envolvem produtos radioativos, entre outros.

Para onde vai o lixo?

O destino do nosso lixo é muitas vezes negligenciado, o que acarreta em graves problemas ambientais. Só para se ter uma ideia, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 8 milhões de toneladas de plástico cheguem aos mares todos os anos. É como se a cada minuto a carga de um caminhão de lixo cheio de plástico fosse despejada no mar, o que faz com que cerca de 90% de todos os resíduos flutuando nos oceanos sejam de plástico.

Além disso, existem alguns caminhos possíveis para o lixo, após ele ser recolhido pelos serviços de coleta. Isso, obviamente, desconsiderando aquele que é descartado de maneira totalmente irregular, e que acaba indo parar nos rios e mares.

Lixão

Nos lixões, os resíduos são simplesmente depositados em uma área a céu aberto, sem nenhum tipo de tratamento ou mesmo preparação do solo para recebê-los. Assim, sem impermeabilização, há risco de contaminação dos lençóis freáticos, além da proliferação de pragas e transmissores de doenças.

Apesar de ser uma das formas mais inadequadas para destinar o lixo, os lixões ainda estão muito presentes no Brasil, com 41% dos resíduos gerados pelos brasileiros sendo despejados nesses locais, segundo dados da Abrelpe.

Aterro sanitário

Em aterros sanitários, o lixo é depositado seguindo alguns requisitos básicos, cobrindo-o com uma camada de terra ou material inerte, além da impermeabilização da base e instalação de sistemas de drenagem do chorume para tratamento, evitando a contaminação do solo, com remoção segura e queima dos gases produzidos.

De acordo com o IBGE, apenas 27% das cidades brasileiras descartam seu lixo em aterros sanitários.

Incineração

Para este processo, o lixo é queimado até ser reduzido a cinzas e escórias. A maior vantagem é a grande redução do volume, de até 90% do inicial. Além disso, a energia térmica, originada na queima dos resíduos, pode ser aproveitada para aquecimento, através da produção de vapor, ou ser utilizada na produção de energia elétrica. As emissões gasosas têm de ser tratadas, devido aos resíduos provenientes dos materiais incinerados.

É uma alternativa muito usada para lixo hospitalar, porém sua instalação é cara, devido ao custo elevado de implantação e ao risco ambiental inerente.