4. O que leva ao suicídio?

Desespero profundo e falta de esperança

Por que alguém pensa em suicídio? O que faz uma pessoa querer acabar com a própria vida? Para muita gente, pode parecer difícil entender essas questões – embora pensar em suicídio, ou ao menos na ideia de morrer, não seja algo tão incomum assim.

São diversos os fatores que podem levar alguém a considerar o suicídio como uma opção, sejam de ordem emocional, social ou médica, como a depressão. Mas, em geral, a pessoa se enxerga em uma situação muito complicada, com muita dor e sofrimento, na qual ela não consegue achar uma saída. Ao se ver isolada, e sem opções, a ideia cresce e, sem receber apoio ou encontrar um caminho possível, o suicídio acaba se tornando a última saída.

O bullying e a intolerância em geral também podem desempenhar um grande papel nesse contexto, ajudando a empurrar uma pessoa para a depressão e, em consequência, podendo influenciar negativamente na tentativa de um suicídio.

Com dados de 2012*, os países com as maiores taxas de suicídio do mundo são a Guiana, com 44,2 para cada 100 mil habitantes, a Coreia do Norte, com 38,5, e a Lituânia, com 28,2. Além disso, há os casos em que as taxas têm crescido, como o Brasil, com aumento de 10,4% entre 2000 e 2012. Nesse sentido, o maior destaque é a Coreia do Sul, com crescimento de 109% no mesmo período.

Além disso, há os casos em que as taxas têm crescido, como o Brasil, com aumento de 10,4% entre 2000 e 2012

Além da questão psicológica e pessoal, há também um componente cultural, que faz com que alguns países tenham taxas altas. Um bom exemplo é o Japão, onde o suicídio por questões de honra é muito comum. O país apresenta uma taxa de 18,5 suicídios para cada 100 mil habitantes, três vezes mais que o Reino Unido e 50% acima dos Estados Unidos.

O caso dos kamikazes, na Segunda Guerra Mundial, é um clássico, no qual pilotos atiravam seus aviões contra alvos, entregando diretamente as suas vidas pela nação. Por não ter uma raiz cultural cristã, o suicídio não é visto pelos japoneses como um pecado, podendo ser considerado uma forma de assumir a responsabilidade pelos próprios atos, ou, em outras palavras, uma questão de honra.

Há também os casos dos extremistas religiosos, principalmente entre radicais muçulmanos, que se suicidam enquanto provocam mortes ao redor com a explosão de artefatos presos ao corpo. Existem ainda aqueles outros que se matam depois de provocar mortes aparentemente sem nenhuma razão – como os casos que vimos ocorrer em escolas e locais públicos dos Estados Unidos.

O perfil da pessoa com comportamento suicida

Em geral, pode-se afirmar que cerca de 90% das pessoas que se suicidam possuem depressão ou algum outro transtorno associado, como abuso de drogas ou ansiedade, por exemplo. Não se pode afirmar que todas as pessoas com depressão tenham comportamento suicida – estima-se que sejam de 5% a 10%, entretanto, a maior parte das pessoas que tentam ou cometem suicídio apresenta sintomas do transtorno.

Em uma cartilha, a Organização das Nações Unidas (ONU) destacou os principais grupos de risco para o suicídio. Os principais fatores que podem influenciar são:

 

  • Questão econômica: classes sociais mais baixas, menor nível de educação ou perda de emprego;
  • Stress social;
  • Problemas familiares ou em relações sociais;
  • Traumas, tal como abusos físico ou sexual;
  • Perdas pessoais;
  • Doenças ou transtornos, como depressão, ansiedade ou esquizofrenia;
  • Abuso de álcool ou outras drogas;
  • Sentimentos de baixa auto-estima ou de desesperança;
  • Pouco discernimento, falta de controle da impulsividade, e comportamentos auto-destrutivos;
  • Vítimas de bullying ou intolerância, como a homofobia ou a transfobia;
  • Doença física e dor crônica;
  • Exposição ao suicídio de outras pessoas, especialmente no período de luto;
  • Acontecimentos destrutivos e violentos (tais como guerras ou desastres naturais);

No Brasil, separando-se por faixas etárias, os idosos apresentam as maiores taxas, com oito suicídios para cada 100 mil habitantes. A causa mais comum, com aproximadamente 70% dos suicídios nessa fase, é a depressão, muitas vezes não diagnosticada ou tratada inadequadamente. Psicoses e abusos de drogas, principalmente o álcool, também estão entre os motivos mais frequentes.

Há também os casos de suicidas passivo-crônicos, muito comuns entre idosos, que é quando a pessoa não manifesta claramente essa intenção, como, por exemplo, recusar alimentação, não seguir prescrições médicas, deixar de tomar remédios ou abandonar tratamentos. Por ser um estudo que analisa basicamente as redes sociais, essa faixa etária acaba não tendo muita representatividade neste dossiê, pela proeminência de um público mais jovem na internet.

Entretanto, é entre os jovens que as taxas apresentaram o maior crescimento, de 2002 a 2012, o que preocupa bastante.

Além disso, homens possuem mais chances de cometer suicídio do que mulheres. As únicas exceções são Índia e China. Os brasileiros, por exemplo, têm 3,7 vezes mais chances de se suicidar do que as brasileiras, de acordo com estudo realizado pelas pesquisadoras Daiane Borges Machado e Darci Neves dos Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). As possíveis razões para isso estão no fato de homens serem mais resistentes a procurar ajuda e utilizar métodos mais letais em suas tentativas. A pesquisa também mostrou que, no Brasil, indígenas têm taxas muito maiores de suicídio, com 132% mais casos que no restante da população.