15. Considerações finais

No momento em que decidimos monitorar o assunto suicídio não esperávamos tantas menções sobre o tema. Na verdade, a expectativa era de poucos comentários, já que ninguém falava sobre o assunto.

O longo processo de estudo e análise para definição dos termos de busca, visava encontrar o comportamento de usuários, principalmente em três pilares: pessoas com tendência ao suicídio, pessoas impactadas pelo suicídio de alguém e descobrir como o público em geral trata de um assunto tão importante.

Durante o processo, tivemos a estreia da série Os 13 Porquês e a explosão viral do crime cibernético da Baleia Azul, fatores que mudaram todas as expectativas sobre o monitoramento, gerando um buzz em dois meses de mais de um milhão de menções sobre o tema. Pudemos acompanhar a recepção do público em geral ao tema do suicídio de forma muito aberta, e por duas visões diferentes. Em uma delas, a recepção do público sobre Os 13 Porquês, que por incrível que pareça viralizou na web de forma muito positiva, levando mensagens importantes de conscientização sobre o tema. Por outro lado, tivemos o caso Baleia Azul, que foi, de maneira geral, tratado como piada nas redes sociais, ainda que muita gente tenha entendido o quão grave era o problema, poucos publicaram opiniões críticas em relação a esse assunto.

Em geral, o público mostrou que sabe pouco sobre o tema e sua relevância. Os números sobre suicídio atualmente, em todo o mundo, assustam muito. A sentença que silenciou o suicídio fez o problema crescer e se transformar em uma das principais causas de mortes do mundo, e em diversos segmentos etários diferentes.

Depois de analisar todos os dados, temos mais certeza da principal maneira de combater o suicídio: falar sobre. Por anos, o tabu de que falar sobre suicídio poderia influenciar outras pessoas reinou, e isso fez com que muita gente, por diversos motivos, principalmente depressão, não pudesse encontrar outra saída, como o diálogo, para evitar o suicídio. O remédio é falar, aceitar e compreender que o problema é grande e não pode mais ser escondido por debaixo de panos. É hora de ficarmos atentos, também nas redes sociais, para os principais sinais de quem pensa em suicídio.

Nós, que não conhecemos ninguém do monitoramento, pudemos ler centenas de relatos e depoimentos de pessoas que apresentam sinais de pensamento suicida, mas será que as pessoas próximas delas conseguiram notar esses sinais?

O Comunica Que Muda trabalha todos os dias, através de linguagem digital e de fácil interpretação, ensinando e mostrando como devemos agir e combater o problema. Não esqueça de passar nas nossas redes e também participar do debate, afinal: precisamos falar sobre suicídio.

Como Pedir Ajuda

Quando se fala em suicídio, o mais importante é que quem tem pensamentos suicidas procure ajuda. É fundamental saber que existe sim uma saída, e que você nunca está sozinho.  

Além do apoio e acolhimento de pessoas mais próximas e de confiança, também existem outros caminhos para obter essa ajuda.

Depressão, ansiedade e outros distúrbios têm tratamento. Por isso, é fundamental que se busque ajuda profissional. Quem não tem condições de pagar por um tratamento, pode procurar os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que são instituições públicas destinadas a oferecer, de maneira totalmente gratuita, ajuda no campo psicológico.

Além disso, existe o Centro de Valorização da Vida (CVV), que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio, sob total sigilo. Basta ligar no 141, ou acessar o site do CVV.

E para aquelas pessoas que perderam alguém para o suicídio e precisam de apoio, uma opção é o Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio.

Metodologia

Ambiente de análise: foram analisadas as redes Facebook, Twitter e Instagram, além de páginas de blogs e comentários de sites da internet.

Métricas selecionadas: número de menções, mapa de calor da intolerância e nuvens dos termos mais citados em cada universo de busca.

Taxonomia e categorização: positivos e negativos; assuntos (Baleia Azul, Os 13 Porquês, depressão, intolerância e outros); tipos (notícias, opiniões, relatos, depoimentos, citações e piadas).

Dados:​ primários e secundários.

Monitoramento realizado com o método de amostragem aleatória simples, com margem de erro de 2,29%.

Período analisado: abril e maio de 2017.

O monitoramento foi feito via plataforma Torabit.

Referências